PF pede indiciamento de Vorcaro e mais 14 no caso Master; ministros do STF ficam fora do relatório
Primeiro relatório da Operação Compliance Zero aponta que ao menos R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos ao BRB não tinham comprovação.

A Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o primeiro relatório da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O documento pede o indiciamento de 15 pessoas, entre elas o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Segundo a investigação, Vorcaro é apontado como líder de uma organização criminosa que usava operações financeiras complexas para enganar o sistema. Entre os crimes atribuídos aos investigados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, indução a erro e fraude na fiscalização, além de lavagem de dinheiro. Costa é descrito como a peça que teria permitido as operações dentro do banco público.
O ponto central é a transferência de cerca de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Master para o BRB. A perícia da PF concluiu que pelo menos R$ 12,2 bilhões desses ativos não tinham comprovação de existência. De acordo com o relatório, uma consultoria sem funcionários servia de intermediária: o Master dizia comprar os créditos dela e, no dia seguinte, revendia ao BRB com grande lucro. Os investigadores também apontam documentos com datas retroativas e valores repetidos.
Seis ministros do STF tiveram o nome citado em mensagens ou documentos ligados a Vorcaro, mas nenhum foi incluído no relatório. Pela lei, ministros da Corte têm foro privilegiado e não podem ser indiciados diretamente pela PF; qualquer apuração dependeria de autorização do próprio Supremo, o que não ocorreu.
A defesa de Vorcaro afirma que o relatório é precipitado. Já a defesa de Paulo Henrique Costa diz que ele não sabia das fraudes e que ajudou a identificar irregularidades junto ao Banco Central. O caso segue no STF, que vai analisar os próximos passos da investigação.




