Estímulos ao consumo animam o comércio para 2027, mas risco fiscal e juros altos preocupam empresários
Transferência de renda, renegociação de dívidas e mais crédito podem aquecer as vendas; setor teme que desequilíbrio nas contas mantenha juros elevados.

As medidas de estímulo ao consumo do governo federal, que incluem transferência de renda, renegociação de dívidas e ampliação do crédito, geram expectativa positiva no comércio para 2027. Representantes do setor produtivo e economistas ouvidos em Goiás, porém, alertam que o efeito sobre as vendas depende de o governo conseguir equilibrar o aumento de gastos com o controle das contas públicas.
O principal temor é que um desequilíbrio fiscal prolongue o cenário de juros altos. Com a taxa elevada, o financiamento fica mais caro para empresas e consumidores, o que pode adiar investimentos, reduzir compras a prazo e anular parte do ganho de renda das famílias.
A preocupação tem base em números oficiais. No Relatório de Acompanhamento Fiscal de setembro, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, apontou diferença de R$ 104,8 bilhões entre a sua projeção e a do governo para o resultado das contas de 2027. Enquanto o projeto de Orçamento prevê superávit de R$ 18,6 bilhões, a IFI calcula déficit de R$ 86,1 bilhões.
A divergência vem, em parte, das premissas usadas nas contas. O governo trabalha com crescimento de 2,5% do PIB em 2027 e inflação de 3,6%. A IFI projeta 1,8% de crescimento e 4% de inflação, enquanto o mercado, no boletim Focus do Banco Central, estima 1,5% e 4,3%, respectivamente.
O relatório também indica aumento de R$ 131,4 bilhões nas despesas obrigatórias entre 2026 e 2027, puxado por benefícios previdenciários, pessoal e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Isso reduz a margem para investimentos e outras políticas públicas.
Para o comércio, a equação é direta: renda maior tende a aumentar o movimento nas lojas, mas crédito caro e incerteza sobre as regras econômicas freiam o consumo de bens de maior valor e os planos de expansão dos empresários. O setor deve acompanhar de perto a votação do Orçamento de 2027 e as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros.




