Incêndio no Ninho da Águia, refúgio de Hitler nos Alpes, reabre debate sobre o passado nazista na Alemanha
Casa construída pelos nazistas em 1938 foi destruída pelo fogo em outubro; alemães discutem se ela deve ser reconstruída ou apagada.

As ruínas carbonizadas de uma casa no alto de uma montanha dos Alpes alemães estão no centro de um debate intenso sobre como a Alemanha deve lidar com o seu passado nazista. O Ninho da Águia, conhecido em alemão como Kehlsteinhaus, foi destruído por um incêndio na noite de 23 de outubro, possivelmente criminoso.
O retiro foi construído pelos nazistas em 1938 e era frequentado por Adolf Hitler, por integrantes do alto escalão do regime e por seus convidados. Depois da Segunda Guerra Mundial, a construção foi classificada como monumento histórico e passou a receber turistas como lembrança daquele período.
Agora, a pergunta é o que fazer com o que sobrou. Uma parte defende que o local seja completamente demolido e devolvido à natureza, sem preservar a memória ligada ao nazismo. Outra parte quer reconstruir o prédio de forma parcial ou total, com receio de que as ruínas virem ponto de peregrinação neonazista, num momento em que a extrema-direita cresce no país.
A historiadora Isabel Heinemann, professora de história contemporânea da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, afirma que a Alemanha tem a responsabilidade permanente de comunicar e enfrentar o seu passado nazista. Para ela, no entanto, uma reconstrução completa significaria reinstalar uma arquitetura carregada de ideologia.
A decisão sobre o futuro do local ainda não foi tomada. O debate envolve autoridades locais, historiadores e moradores da região da Baviera, onde o turismo ligado à montanha é importante para a economia.




