Fim da escala 6×1 no meio do Natal deve frear a contratação de temporários, alerta CDL Betim
Jornada 5x2 começa em 16 de dezembro; pesquisa mostra que 57% dos lojistas vão manter a equipe e só 26% pretendem ampliar.

A chegada das festas de fim de ano costuma aumentar as vendas e a necessidade de reforço nas equipes do comércio. Em 2026, porém, um fator novo pesa na decisão dos lojistas: o fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso em 16 de outubro, que passa a valer em 16 de dezembro, justamente no período mais forte de vendas do ano.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Betim (CDL Betim), José Barboza, a mudança na lei e a falta de mão de obra qualificada devem frear as contratações de temporários. Segundo ele, não basta encontrar pessoas disponíveis: será preciso reorganizar as escalas e achar profissionais preparados para a demanda. Empresários e entidades do setor já se mobilizam para pedir o adiamento da nova jornada para janeiro de 2027.
O contador e empresário Cássio Reis avalia que a escala 5×2 vai exigir mais contratações para cobrir as lacunas nas jornadas, em uma época que representa de 15% a 30% do faturamento anual das lojas. Ele aponta duas barreiras: muitas micro e pequenas empresas não têm caixa para absorver o aumento imediato da folha, e o varejo já sofre com a dificuldade de preencher vagas. Nesse cenário, parte dos empresários pode preferir adiar contratações.
Um levantamento da CDL Betim com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 57% dos empresários pretendem manter o quadro atual de funcionários, enquanto 26% planejam ampliar as equipes e 3% consideram reduzir. As funções com mais vagas são vendedor (23%), ajudante (22%), entregador (10%), caixa (9%) e recepcionista (9%).
Para o pequeno lojista, a recomendação é se antecipar: montar desde já as escalas de dezembro considerando a jornada 5×2, calcular o impacto na folha de pagamento antes de abrir vagas e iniciar o processo de seleção o quanto antes, para não ficar sem gente no pico do movimento. Também vale acompanhar as entidades do setor, como CDLs e associações comerciais, sobre o pedido de adiamento da regra.




