Selic termina o Lula 3 no mesmo patamar do início do mandato, e dívida pública sobe 11 pontos
Juros estão em 13,75%, como em janeiro de 2023; dívida bruta foi de 71,7% para 82,9% do PIB, e economistas veem taxa parada até 2027.

A dois meses do fim do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a taxa básica de juros está no mesmo nível em que começou o governo, em janeiro de 2023: 13,75% ao ano. Economistas ouvidos pelo Poder360 esperam que a Selic fique nesse patamar até 2027, o que faria Lula iniciar o quarto mandato com os juros iguais aos do início do terceiro.
No mesmo período, a dívida pública cresceu 11,2 pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Ela estava em 71,7% do PIB em dezembro de 2022 e chegou a 82,9% em setembro deste ano, segundo o Banco Central.
Para Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, a sequência de déficits primários desde 2023 explica o avanço do endividamento. José Ronaldo de Souza, da Quantivis Analytics, aponta o crescimento acelerado dos gastos públicos e diz que, sem sinal de mudança, a trajetória da dívida pode aumentar o risco e o custo de financiamento do país.
Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% e interrompeu uma sequência de cinco cortes. A taxa chegou a 15% em junho de 2025, ficou nesse nível até janeiro de 2026 e começou a cair em março. O economista Ecio Costa, da UFPE, lembra que a parte da dívida atrelada à Selic encarece a rolagem dos títulos.
O governo afirma que vai apresentar medidas de ajuste nas contas públicas na segunda quinzena de novembro.




