PBH quer dividir custo do transporte com a Grande BH, e Neves, com viagens de até 2 horas, sente o peso
Prefeitura da capital defende integração tarifária e financeira; em Neves, 31% dos trabalhadores levam de 1 a 2 horas até o trabalho

A pressão financeira sobre o sistema de ônibus de Belo Horizonte trouxe de volta um tema que mexe com toda a Região Metropolitana: a divisão dos custos das linhas que ligam a capital às cidades vizinhas. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) defende um modelo integrado, em que o custo do transporte seja compartilhado entre o Governo de Minas e os municípios da Grande BH.
Segundo a capital, as contas estão no limite por causa do aumento dos valores repassados às concessionárias e do peso do subsídio que mantém a tarifa dos ônibus municipais. O sistema metropolitano, por sua vez, é gerido pelo Estado, e os dois modelos funcionam de forma separada.
Em Ribeirão das Neves, cidade com forte ligação econômica e social com a capital, o debate toca diretamente a rotina de milhares de passageiros. Grande parte da população trabalhadora sai todos os dias rumo a Belo Horizonte ou aos terminais de Venda Nova e de Justinópolis.
Pesquisas de mobilidade indicam que cerca de 31% dos trabalhadores de Neves levam entre uma e duas horas para chegar ao trabalho, e outros 30% gastam de meia hora a uma hora. O valor das passagens das linhas metropolitanas, como as que ligam a cidade às estações Vilarinho e Justinópolis, somado ao das linhas municipais, pesa no orçamento das famílias, principalmente de quem precisa pegar mais de uma condução sem integração completa.
Para os defensores da proposta, um sistema metropolitano integrado, com tarifa e financiamento compartilhados, poderia reduzir o gasto do passageiro e dar mais estabilidade às contas do transporte na região.
A discussão deve continuar entre a PBH, o Governo de Minas e as prefeituras da Grande BH. Até lá, o morador de Neves segue enfrentando longas viagens e passagens caras para chegar ao trabalho.




