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Belo Horizonte

MPMG vê queda de adolescentes em medidas socioeducativas em BH, mas alerta para falta de técnicos

Inspeção anual aponta menor número de encaminhamentos da série histórica, aumento de medidas concluídas e equipe reduzida à metade nos Creas.

Por Redação Portal ONE NewsHoje, 13:15Fonte: RCWTV, com informações do MPMG
Foto: Foto: Divulgação/MPMG

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) divulgou na quarta-feira (28) o relatório da inspeção anual dos serviços que acompanham adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto em Belo Horizonte. O levantamento, feito pela 23ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, aponta avanços na rede de atendimento, mas também problemas estruturais que preocupam o órgão.

Entre abril de 2024 e março de 2025, foram registradas 755 inserções de adolescentes nas medidas de Liberdade Assistida (LA) e Prestação de Serviços à Comunidade (PSC). O número é 22,1% menor que o do período anterior e o mais baixo da série histórica acompanhada pelo Ministério Público na capital. Na época da inspeção, feita em abril e maio de 2025 nos nove Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) da cidade, 548 adolescentes eram acompanhados.

O principal alerta é a redução das equipes. Em 2018, os Creas tinham 80 técnicos dedicados exclusivamente ao acompanhamento socioeducativo; em 2025, eram 39, uma queda de mais da metade. A inspeção constatou que a diminuição foi proporcional à queda no número de adolescentes atendidos, mas o MPMG avalia que qualquer aumento da demanda ou afastamento de servidores pode gerar filas de espera e risco de descumprimento de decisões judiciais.

Outro ponto destacado é a desistência. Nos 12 meses avaliados, 417 adolescentes deixaram o acompanhamento antes do fim, número maior que os 337 que cumpriram a medida regularmente. Outros 159 tinham baixa frequência ou dificuldade de adesão no momento da inspeção. O relatório cita como causas a vulnerabilidade social extrema, a evasão escolar e o aliciamento pelo crime.

Por outro lado, o número de adolescentes que concluíram as medidas subiu de 184 para 337, alta de 83% em relação ao ciclo anterior. O MPMG também destacou a aprovação do Plano Municipal Decenal de Atendimento Socioeducativo, que define diretrizes para integrar assistência social, educação, saúde, cultura, esporte e profissionalização.

A partir do diagnóstico, a Promotoria apresentou recomendações à rede de atendimento para fortalecer a política socioeducativa na capital.

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