Governo Lula conta com 200 deputados fiéis em 2027 e vê outros 100 em disputa na Câmara
Planalto prevê oposição de tamanho parecido e dependerá do Centrão; avanço da direita no Senado preocupa.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calcula que terá cerca de 200 deputados federais fiéis à base a partir de 2027, quando toma posse o Congresso eleito em outubro. A estimativa da articulação política do Palácio do Planalto é que a oposição mais resistente tenha tamanho semelhante e que pouco mais de 100 parlamentares fiquem sem alinhamento definido.
Esse grupo intermediário deve ser formado principalmente por deputados de partidos do Centrão, que poderão apoiar ou rejeitar propostas do governo conforme o assunto. Na avaliação do Planalto, o comportamento desses parlamentares vai depender de fatores como a pressão da opinião pública, os interesses de seus estados e municípios e a liberação de emendas.
Com 513 cadeiras na Câmara, a base estimada não será suficiente, sozinha, para garantir a aprovação de projetos importantes do Executivo. O governo, no entanto, acredita que poderá conquistar apoio entre os deputados que não integram nem o núcleo governista nem a oposição mais radical.
No Senado, o cenário é considerado mais difícil, por causa do avanço dos partidos de direita na composição da Casa. Ainda assim, a articulação aposta no diálogo com alguns senadores de oposição, inclusive do PL. Entre os nomes vistos como mais abertos à negociação estão Efraim Filho, da Paraíba, Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, e Domingos Sávio, de Minas Gerais. O governo também enxerga espaço para aproximação com parlamentares do União Brasil e do PP.
A estratégia será ampliar alianças e negociar apoio projeto a projeto. A tendência é que Lula enfrente um Congresso com maior presença da direita e precise de negociações constantes para formar maiorias.




