Lula avalia insistir em Messias para o STF depois da rejeição de abril; senadores preveem resistência
Aliados dizem que o presidente quer usar o capital político da eleição, mas o regimento impede nova votação do nome ainda em 2026.

O presidente Lula (PT) pretende insistir na indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, mesmo depois de o nome do advogado-geral da União ter sido rejeitado pelo Senado em abril, segundo a Folha de S.Paulo.
De acordo com aliados, a ideia é aproveitar o capital político reforçado pela eleição e a disputa pela presidência do Senado, em que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) enfrenta a oposição bolsonarista, para reabrir as negociações.
Nem todos no governo concordam. Uma ala tenta convencer o presidente a desistir, por apostar em forte resistência no Congresso, a começar pelo próprio Alcolumbre. Senadores da base dizem que o cenário continua desfavorável, e integrantes do núcleo petista defendem a indicação de Rodrigo Pacheco.
Há também uma barreira regimental: temas rejeitados não podem voltar à votação na mesma sessão legislativa. Assim, mesmo que o nome seja reenviado, a discussão não poderia ocorrer em 2026.
Lula tem dito em conversas que a rejeição não teve relação com o perfil profissional de Messias, e sim com uma conjuntura política adversa. Segundo aliados, ele vê esta como a última chance de nomear alguém de sua total confiança antes da posse dos senadores eleitos, que deve exigir ainda mais negociação.
O presidente convidou Alcolumbre para acompanhá-lo na viagem às Filipinas e à Turquia. Até a noite de quarta-feira (4), o presidente do Senado não havia confirmado presença.




