Lojista, atenção: famílias de BH estão mais otimistas, mas 55,8% dizem gastar menos que há um ano
Intenção de consumo sobe para 86,7 pontos em outubro, mas segue abaixo da linha de satisfação, e compra de maior valor continua sendo adiada.

As famílias de Belo Horizonte chegaram a outubro um pouco mais confiantes, mas ainda seguram as compras mais caras. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,3 ponto em relação a setembro e marcou 86,7 pontos. A pesquisa é da CNC, com análise da Fecomércio MG, e foi divulgada pelo Diário do Comércio.
Como a escala tem 100 pontos como referência, o resultado ainda indica insatisfação, em geral, com emprego, renda e capacidade de consumo. Dois itens ficaram acima dessa linha: emprego atual, com 103,6 pontos, e renda atual, com 103,5. Ambos recuaram frente a setembro, mas estão mais de 8 pontos acima do que eram em outubro de 2025.
O nível de consumo é o ponto mais fraco, com 62,7 pontos. Entre os entrevistados, 55,8% afirmam gastar menos do que há um ano, 18,5% dizem comprar mais e 25,6% mantêm o ritmo. O acesso ao crédito melhorou e chegou a 94,9 pontos, mas 35,6% ainda veem mais dificuldade para conseguir empréstimo ou comprar a prazo.
A expectativa é o dado mais animador. A perspectiva de consumo subiu 3,4 pontos e alcançou 108,5. Para 40,6% das pessoas ouvidas, o consumo será maior nos próximos meses do que no segundo semestre de 2025, enquanto 32,1% esperam redução.
A economista Gabriela Martins, da Fecomércio MG, avalia que a alta não significa, por si só, disposição maior para comprar. Segundo ela, as famílias continuam limitadas, principalmente em compromissos de maior valor, e a confiança depende de renda, perspectiva profissional e crédito. Ela também explica que o consumidor pode perceber melhora no emprego e, ao mesmo tempo, manter uma postura defensiva.
Para o comerciante, os números mostram um cliente disposto a comprar, mas atento ao orçamento. O recorte por renda reforça a diferença: entre quem ganha mais de dez salários mínimos, 47% esperam melhora profissional; entre os que ganham até dez salários, 56,6% não acreditam em evolução positiva.




