Por que candidatos “meme” como Tiririca são raros nas eleições dos Estados Unidos
Prévias partidárias e voto distrital barram personagens caricatos nas midterms, que ocorrem nesta terça-feira (3).

Tiririca, Cabo Daciolo, Enéas e Padre Kelmon são alguns dos personagens que marcaram eleições no Brasil com campanhas inusitadas e grande repercussão nas redes sociais. Nos Estados Unidos, porém, é raro que esse tipo de candidato chegue às urnas.
Em levantamento sobre as midterms, as eleições de meio de mandato marcadas para esta terça-feira (3), o g1 não encontrou nenhum candidato parecido com os brasileiros disputando vagas de governador, do Congresso ou das câmaras estaduais americanas.
A principal explicação está no sistema eleitoral. Nos EUA, o Partido Democrata e o Partido Republicano fazem prévias para escolher quem vai representar cada legenda na eleição. Nessa etapa, candidatos menos preparados ou com campanhas caricatas costumam ficar pelo caminho antes mesmo de chegar à votação geral.
Outro fator é o voto distrital. Como os eleitores escolhem representantes do próprio distrito, a tendência é que votem em pessoas ligadas diretamente à comunidade, e não em nomes que se destacam apenas pela fama ou pelo humor.
Segundo o comentarista da GloboNews Marcelo Lins, no Brasil um candidato vindo da televisão ou com perfil histriônico pode atrair votos para o partido e ajudar a eleger outros nomes, por causa do sistema proporcional. Além disso, ao se filiar, ele passa a ter acesso à propaganda gratuita no rádio e na TV, o que amplia sua visibilidade.
Nos Estados Unidos, sem horário eleitoral gratuito e com campanhas financiadas em grande parte por doações, a visibilidade depende de estrutura e dinheiro, o que também dificulta a vida de candidaturas folclóricas. As midterms desta semana vão definir o controle do Congresso americano na segunda metade do mandato de Donald Trump.




