Mesmo após anunciar renúncia, Peña enfrenta julgamento no Senado do Paraguai nesta sexta
Votação final pode sair ainda hoje e exige 30 dos 45 senadores. Colapso do Ueno Bank deixou milhões sem acesso ao dinheiro.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, tem de se defender nesta sexta-feira (6) no Senado, no processo de impeachment aberto contra ele. Embora tenha anunciado a renúncia nas redes sociais na quinta-feira (5), pressionado pela crise do Ueno Bank, ele continua formalmente no cargo, segundo o Poder360.
A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do julgamento, mesmo depois do anúncio. A oposição defende a destituição formal: pela Constituição paraguaia, ex-presidentes viram senadores vitalícios, o que, segundo opositores, daria a Peña imunidade contra processos criminais. Se for destituído, ele perde esse direito. A sessão do Congresso que analisaria a renúncia terminou sem votação, depois de deputados governistas deixarem o plenário.
Pelo rito informado pelo presidente do Senado, Basilio Núñez, Peña apresenta a defesa às 10h, e as provas são avaliadas por volta das 13h. A votação final pode ocorrer ainda nesta sexta e exige dois terços, ou seja, 30 dos 45 senadores.
Os deputados rejeitaram abrir processo contra o vice, Pedro Alliana, que se consolida como o nome mais provável para assumir até agosto de 2028. Opositores afirmam que Peña foi para a Argentina e pediu asilo ao presidente Javier Milei, mas o governo argentino nega que ele tenha entrado no país.
A crise começou na segunda-feira (2), com a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, que tinha cerca de 3 milhões de clientes, metade da população do país. Com o colapso, milhões ficaram sem acesso aos depósitos.




