Aos 90 anos, clarinetista de Santa Luzia prepara álbum com 22 músicas, quase todas de choro
Vicente Paulo Sandim toca desde 1948, ajudou a criar grupos históricos da cidade e já gravou 13 das 22 composições do novo trabalho.

O clarinetista luziense Vicente Paulo Sandim chegou aos 90 anos, completados em junho, com um projeto novo nas mãos: um álbum com 22 músicas de autoria própria. O repertório reúne 20 chorinhos, uma valsa e um xote, e 13 faixas já passaram pelo estúdio. O lançamento ainda não tem data, segundo reportagem do Estado de Minas.
Morador do Centro Histórico de Santa Luzia, Vicente mantém um jeito simples de compor. A melodia aparece em qualquer momento do dia, ele assovia até encontrar as notas e depois escreve tudo na partitura. Foi assim que nasceu boa parte do material reunido agora, junto com a história de cada canção. Uma delas é “Uma Valsa para Iria”, dedicada à esposa, que surgiu instrumental e ganhou letra depois que outro músico se interessou pela melodia ao ouvi-lo tocar em Belo Horizonte.
A trajetória começou em 1948, quando ele entrou na Banda de Música Benício Moreira, sob orientação do maestro Pedro Paulo. O vínculo com a corporação durou até 2006. No caminho, Vicente estudou por três anos no Conservatório de Música da UFMG e tocou em celebrações religiosas, festas populares e encontros musicais da cidade.
Ele também esteve na fundação do Coro Angélico e da Orquestra Sacra de Santa Luzia, criou o grupo carnavalesco Malandros em 1958 e o conjunto de seresta Chuteira Calçada. Em 1994, fundou o Sovaco de Cobra, que ficou em atividade até 2015.
A música dividiu espaço com outras profissões. Foram 38 anos no setor bancário, com cargos de gerência no Itaú e no Bemge, e 19 anos de advocacia. Mesmo com a rotina longe dos palcos, o clarinete nunca ficou de lado. Apesar de já ter tocado baião, bolero e seresta, ele deixa clara a preferência pelo choro.
Agora, a família discute como apresentar o trabalho ao público. Uma audição informal já aconteceu em Santa Luzia. A filha, Ângela Sandim, sugeriu um teatro municipal, enquanto Vicente também considera um bar, para um encontro mais descontraído. Outra possibilidade é chamar antigos integrantes do Sovaco de Cobra para tocar as composições ao vivo, o que depende da disponibilidade de cada um.




