Copom mantém Selic em 13,75%, e CDL/BH vê crédito caro às vésperas da Black Friday e do Natal
Comércio e indústria de Minas criticam a decisão do Banco Central e dizem que juros altos atrasam investimentos e encarecem o crédito.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4/11), manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão foi criticada por entidades do setor produtivo de Minas Gerais, que veem prejuízo para os investimentos e para a competitividade da indústria e do comércio.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) considera a manutenção desfavorável ao comércio e aos serviços, em especial pelo momento do calendário. Segundo a entidade, os juros nesse patamar alongam as dificuldades de empresas e consumidores justamente na preparação para a Black Friday e para o Natal, a principal data de vendas do varejo.
O presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, reconhece a necessidade de controlar a inflação, mas defende que os efeitos dos juros sobre a economia também sejam levados em conta. Para ele, um corte gradual e responsável melhoraria as condições de crédito, estimularia o consumo e daria mais fôlego às empresas.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também reagiu. Em nota, a entidade atribuiu a pressão sobre a inflação à falta de coordenação entre as políticas fiscal e monetária, o que limitaria o espaço para reduzir a taxa.
O presidente da federação, Flávio Roscoe, afirmou que juros altos por mais tempo encarecem o crédito, adiam investimentos e reduzem a capacidade de crescimento da indústria. Ele cobrou responsabilidade fiscal e sinais claros de compromisso com o equilíbrio das contas públicas, e criticou o que chamou de medidas “populistas” de curto prazo.




