Copom decide nesta quarta se reduz a Selic; mercado espera sexto corte seguido, para 13,5% ao ano
Decisão sai no início da noite; analistas apostam em manutenção da taxa em dezembro, com dólar em alta e inflação acima do teto.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia no início da noite desta quarta-feira (4) a decisão sobre a Taxa Selic, os juros básicos da economia. É a penúltima reunião do ano. Hoje em 13,75% ao ano, a taxa deve cair para 13,5%, segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras. Seria o sexto corte consecutivo.
A aposta se mantém mesmo com a alta recente do dólar. A diferença em relação às pesquisas anteriores está no fim do ano: se antes os analistas previam mais uma redução em dezembro, agora a expectativa é de que a Selic fique parada em 13,5% no mês que vem.
A taxa chegou a 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, e permaneceu nesse nível de junho de 2025 a março deste ano.
O colegiado segue incompleto, já que os mandatos de dois diretores terminaram no fim de 2025 e as indicações dos substitutos ainda não foram enviadas ao Congresso. Na ata de setembro, o comitê reforçou a cautela diante da pressão de demanda sobre a inflação.
Os preços continuam sendo o principal ponto de atenção. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, recuou para 0,32% em outubro, mas o acumulado de 12 meses subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta. O Focus projeta alta de 5,22% neste ano, contra 5,19% na semana anterior. A meta é de 3%, com tolerância até 4,5%. Câmbio, petróleo, gastos públicos e o fenômeno El Niño, que tende a encarecer alimentos, estão entre os fatores de pressão.
A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação e serve de referência para as demais taxas da economia. Quando ela cai, a tendência é de crédito mais barato e estímulo à produção e ao consumo. Os juros cobrados dos consumidores, no entanto, também dependem de fatores como inadimplência, despesas e lucro dos bancos.




