Lula negocia nova base com o centrão e quer aprovar pendências no Congresso antes de mudar ministérios
Planalto acompanha as candidaturas de Motta e Alcolumbre, cobra fidelidade dos aliados e tem Rodrigo Pacheco como nome mais cotado para o STF.

Depois da vitória nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a desenhar o próximo governo pela formação de uma nova base no Congresso, segundo reportagem do GZH. O objetivo é garantir governabilidade diante do crescimento da oposição.
O presidente acompanha de perto as movimentações de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), que comandam o Senado e a Câmara e tentam a reeleição. Os dois constroem uma aliança entre as bancadas de esquerda e o centrão para isolar a ala mais radical do PL, partido com a maior representação nas duas Casas. A rede de apoio a eles tende a virar a nova base do governo.
Na Câmara, o cenário é mais tranquilo: 15 partidos já declararam voto em Motta. No Senado, Alcolumbre recebeu a adesão da federação União Brasil/Progressistas, mas o grupo bolsonarista reúne 37 dos 81 senadores. A esquerda tem 26 parlamentares, e os outros 18 transitam pelo centro.
A montagem do novo ministério também envolve os partidos de centro. O União Brasil vai liberar seus filiados para participar do governo, a presença do MDB na Esplanada é dada como certa, e Gilberto Kassab, presidente do PSD, avisou ao Planalto que espera ao menos três pastas. Segundo a reportagem, Lula agora exige mais fidelidade em votações, depois de episódios em que esses partidos votaram contra o governo.
Antes da reforma ministerial, o presidente quer usar o capital político da eleição para destravar pendências no Congresso. As prioridades são a medida provisória que proíbe o funcionamento das bets e a PEC da Segurança. Na sequência, ele pretende preencher a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal desde a saída de Luís Roberto Barroso. A tendência apontada é a escolha de Rodrigo Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, o que também exigiria indicar um substituto para ele no TCU.
A ideia é aprovar tudo antes do recesso parlamentar, em dezembro. Nos ministérios, os secretários-executivos foram informados, em reunião na quinta-feira (29), de que não haverá transição: a orientação é manter o planejamento, fazer balanços e projetar os cem primeiros dias do próximo mandato.




