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Brasil

Ônibus de graça no fim de semana: governo prevê R$ 12 bi, mas empresas dizem que não basta

PEC no Congresso usa 26,8% das emendas obrigatórias para bancar a tarifa zero aos sábados, domingos e feriados; NTU fala em R$ 17 bilhões.

Por Redação Portal ONE NewsOntem, 06:16Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Ciete Silvério/Divulgação Secom

Os cerca de R$ 12 bilhões que o governo federal pretende usar para bancar o transporte público gratuito nos fins de semana podem não ser suficientes, segundo empresas de ônibus e analistas do mercado financeiro. O Ministério das Cidades, por outro lado, afirma que o valor cobre os custos da gratuidade e ainda deixa folga.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) foi enviada ao Congresso em 21 de outubro. O texto obriga o governo a destinar 26,8% do valor das emendas parlamentares de execução obrigatória para financiar a tarifa zero no transporte coletivo urbano aos sábados, domingos e feriados. Com os R$ 44,8 bilhões em emendas previstos para 2027, isso daria cerca de R$ 12 bilhões. O governo diz que a medida não aumenta gastos nem afeta a meta fiscal, porque só redireciona dinheiro que já existe.

Giancarlo Moreira Gama, assessor da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, afirmou que o estudo do ministério, feito com o Ipea a partir de uma amostra de cem cidades, chegou a R$ 11 bilhões para os fins de semana. O custo anual de todo o sistema, em todos os dias, fica perto de R$ 70 bilhões, segundo ele.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) chega a outra conta. O diretor Marcos Bicalho estima R$ 17 bilhões por ano só nos ônibus e R$ 20,8 bilhões com metrôs e trens, já considerando um aumento de 20% na frota, porque a procura costuma crescer onde a tarifa é zerada. Mesmo assim, ele defende a proposta como um primeiro passo.

O economista Tiago Sbardelotto, da XP, calcula que seriam necessários R$ 16 bilhões para cobrir todo o transporte coletivo nesses dias e vê risco de o Tesouro ter de colocar mais dinheiro. Nas cidades em que o repasse não bastar, as prefeituras teriam de reduzir a oferta de ônibus ou completar com subsídio próprio. A aprovação da PEC está entre as prioridades do governo até o fim do ano.

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